por Jason Gale e Simeon
Bennett
Bloomberg
(http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601087&sid=a8cXPBDSbUeo&refer=home)
13 de Maio (Bloomberg)
-- a Organização Mundial da Saúde esta investigando uma afirmação
feita por um pesquisador australiano que o vírus da gripe suína que
circula o globo pode ter sido criado por erro humano.
Adran Gibbs, 75, que
colaborou em pesquisas que levaram ao desenvolvimento do remédio
Tamiflu, do laboratório Roche Holding AG´s, disse numa entrevista
que pretende publicar um relatório sugerindo que a nova variedade
pode ter acidentalmente evoluído em ovos que cientistas usam para
cultivar vírus e os laboratórios usam para criar vacinas. Gibbs
disse que chegou a esta conclusão como parte de um esforço para
traçar a origem do vírus, por meio da análise de seu código
genético.
“Uma das explicações
mais simples é a de que se trata de uma fuga de laboratório,”
disse Gibbs numa entrevista com o canal Bloomberg de televisão hoje.
“Mas há diversas outras.”
A Organização Mundial
da Saúde recebeu o estudo no fim de semana passado e o esta
revisando afirmou Keiji Fukuda, diretor assistente, numa entrevista
em 11 de maio. Gibbs, que estuda a evolução de microrganismos há quatro décadas, é um dos primeiros cientistas a analisar a
estrutura genética do vírus que foi identificado três semanas
atrás no México e ameaça deflagrar a primeira pandemia de gripe
desde 1968.
Um vírus proveniente
de experimentos em laboratório ou da produção de vacina pode
significar a necessidade de maior segurança, afirmou Fukuda.
Identificando a origem do vírus os cientistas podem também melhor
entender o potencial do micróbio de se espalhar e causar doença,
disse Gibbs.
Possível Erro
“O mais rapidamente
descobrirmos da onde isso veio, mais seguras as coisas poderão
ficar,” disse Gibbs, por telefone ontem, de Canverra. “Pode ter
sido um erro” que ocorreu em uma instalação de produção de
vacina ou o vírus pode ter pulado de porcos para outro mamífero ou
para um pássaro antes de alcançar humanos, disse.
Gibbs e outros dois
colegas analisaram as sequências (de domínio público) de centenas
de aminoácidos codificados em cada um dos oito genes do vírus. Ele
disse que pretende apresentar o trabalho de três páginas para
publicação em um jornal de medicina hoje.
“Você realmente quer
um parecer sóbrio” da ciência por de trás dessa afirmação,
disse Fukuda em 11 de maio, na sede da OMS em Genebra.
O Centro para Controle
e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC na sigla inglesa), em Atlanta,
recebeu o relatório e decidiu que não há evidência que suporte a
conclusão de Gibbs, disse Nancy Cox, diretora da divisão de
influenza da agência. Ela disse que já que os pesquisadores não
têm amostras de vírus da gripe suína da América do Sul e da
Africa, onde esta nova variedade pode ter evoluído, não se pode
descartar estas regiões como possíveis origens naturais da nova
gripe.
Sem evidência
“Nós estamos
interessados nas origens deste novo vírus de influenza,” disse
Cox. “Mas contrariamente ao que o autor concluiu, nas nossas
comparações mais relevantes, não há evidência de que este vírus
tenha sido derivado por passagem nos ovos.”
Foi requisitado aos
cetros colaborativos de pesquisa em influenza da OMS, que inclui o
CDC, bem como instalações em Memphis, Melbourne, Londres e Tokyo,
pela agência internacional de saúde, que esta revisando o estudo
durante o fim de semana, disse Fukuda. A requisição foi estendida à
cientistas da Organização de Agricultura e Comida, em Roma, a
Organização para Saúde Animal, em Paris, bem com a rede de
influenza da OMS, disse ele.
“Eu acho que a
questão deva estar bem mais clara nos próximos dias,” disse
Fukuda. “Nós pedimos para várias pessoas que verifiquem isso.”
Expert em Vírus
Gibbs escreveu ou
co-escreveu mais de 250 publicações científicas sobre vírus
durante sua carreira de 39 anos na Universidade Nacional da
Austrália, em Canberra, de acordo com sua informação biográfica
no Web site da universidade.
A gripe suína infectou
5.251 pessoas em 30 países até agora, matando 61, de acordo com
dados da OMS. Cientistas estão tentando determinar se o vírus irá
se modificar e tornar-se mais mortal caso se espalhe para o hemisfério
sul e retorne. Pandemias de gripe ocorrem quando uma variedade da
doença para a qual poucas pessoas possuem imunidade evolui e se
espalha.
Gibbs disse que sua
análise corrobora pesquisa desenvolvida por cientistas como Richand
Webby, um virologista no Hospital infantil e Centro de Pesquisa St.
Jude, em Memphis, que descobriu que esta nova variedade é o produto
de duas linhagens distintas de influenza que circulam entre os suínos
da América do Norte e da Europa por mais de uma década.
Além disso, Gibbs
disse que sua pesquisa descobriu que a taxa de mutação genética do
novo vírus é cerca de três vezes mais rápida que a taxa do vírus
mais parecido encontrado em porcos, sugerindo que ele evoluiu fora
dos suínos.
Evolução Genética
“Seja o que tenha
acelerado a evolução destes genes, aconteceu a ao menos sete ou
oito anos, o que faz um se perguntar porquê ainda não foi encontrado?”
disse Gibbs hoje.
Alguns cientistas
especulam que a gripe russa de 1977, o mais recente surto mundial,
começou quando um vírus escapou de um laboratório.
Identificar a origem de
novos vírus de gripe é difícil sem que se encontre a variedade
exata em um animal ou pássaro “reservatório,” disse Jennifer
McKimm-Vreschkin, uma virologista da Commonwealth Science and
Industrial Research Organization em Melbourne.
“Se você não
consegue achar um equivalente perfeito, o melhor que pode fazer é
comprar sequências,” disse ela. “Semelhanças podem dar uma
indicação de uma possível origem, mas isso permanece teorético.”
A Organização Mundial
para a Saúde Animal, que representa os veterinários oficiais de mais
de 174 países, recebeu o estudo de Gibbs e esta trabalhando com a
OMS numa avaliação, disse Maria Zampaglione, uma porta-voz.
Padrões Genéticos
A OMS quer saber se
qualquer evidência de que o vírus possa ter sido desenvolvido em
laboratório pode ser corroborada, e se existem outras explicações
para este padrão genético particular, de acordo com Fukuda.
“Estas coisas tem que
ser abordadas diretamente,” disse ele. “Se alguém faz uma
hipótese, então você testa ela e deixa o processo científico
seguir o seu curso.”
Gibbs disse que não
tem nenhuma evidência de que o vírus derivado de suínos tenha sido
produto de trabalho humano deliberado.
“Eu não penso que
possa ter sido uma coisa maligna,” disse ele. “É muito mais
provável que tenha sido algo randômico que colocou estes dois vírus
juntos.”
Gibbs, que passou a
maior parte de sua carreira acadêmica estudando vírus de plantas,
disse que sua maior contribuição para o estudo da influenza ocorreu
em 1975, quando colaborando com os cientistas Graem Laver e Robert
Webster, na pesquisa que levou ao descobrimento dos remédios
anti-gripais Tamiflu e Relenza, feitos pela GlaxoSmithKline Plc.
Merda de Pássaros
“Nós estávamos numa das ilhas do Barrier Reef, na costa da Austrália, capturando pássaros pela gripe neles, e
aconteceu de eu ser o cara que capturou o melhor,” disse Gibbs. O
pássaro que ele capturou “continha a merda na qual foi isolada a
variedade de influenza da qual todo o trabalho no Tamiflu e
Relenza começou.
Gibbs, que diz que
estuda a evolução dos vírus de gripe como um “hobby de
aposentadoria,” espera que sua pesquisa seja questionada por outros
cientistas.
“É dessa forma que a
ciência progride,” disse. “Alguém surge com uma ideia não
convencional, e então todos pulam em cima dela, te chutam até a
morte, e então você começa com outra ideia boba.”
http://gazetilha.noblogs.org/category/tablide
http://www.abc.net.au/news/stories/2009/05/16/2572325.htm